Acho que agora descobri: e é como se sempre estivesse aqui... Como eu não percebera? Será que vivia tão ávida e sôfrega que a coisa me escapava por completo? Mas agora eu tenho: e a quem tem, muito mais será dado...
E tudo aconteceu sem que houvesse de minha parte qualquer intenção: talvez isso torne ainda mais válido. Fui guiada por uma espécie de descuido alerta: meu momento mais raro foi de uma total desatenção!
Não sei exatamente precisar quando foi, só sei que eu estava envolta por uma certa bruma, algo que se confundia com a fumaça de meus intermináveis cigarros. E, então, a coisa se deu: no meio do furacão obscuro da minha vida, eu vi...
Sim, eu vi: seu aspecto era sutil e um tanto singelo. Nela, havia todas as coisas pelas quais eu houvera passado. As cartas de amor jamais enviadas, a palavra estilhaçada na boca no momento mais delicado do amor...
E eu não sofria! Era apenas com um certo susto, que eu via minha vida anterior desenrolada diante de meus olhos. Era apenas uma iluminação lenta e gradativa, que me levaria, enfim, a essa espécie de Nirvana em que estou agora imersa...
É isso, sim: os céus se abriram sobre minha cabeça, justo para mim que nunca estive à margem de nenhum Jordão. E o meu deserto era sutil: me foi dado entrar nele pelas pequenas brechas do dia, pelos lapsos da palavra na sua insuficiência de dizer a exatidão das coisas: meu deserto estava incrustrado na lacuna breve dos instantes: e eu me atirava inteira nele!
E tudo aconteceu sem que houvesse de minha parte qualquer intenção: talvez isso torne ainda mais válido. Fui guiada por uma espécie de descuido alerta: meu momento mais raro foi de uma total desatenção!
Não sei exatamente precisar quando foi, só sei que eu estava envolta por uma certa bruma, algo que se confundia com a fumaça de meus intermináveis cigarros. E, então, a coisa se deu: no meio do furacão obscuro da minha vida, eu vi...
Sim, eu vi: seu aspecto era sutil e um tanto singelo. Nela, havia todas as coisas pelas quais eu houvera passado. As cartas de amor jamais enviadas, a palavra estilhaçada na boca no momento mais delicado do amor...
E eu não sofria! Era apenas com um certo susto, que eu via minha vida anterior desenrolada diante de meus olhos. Era apenas uma iluminação lenta e gradativa, que me levaria, enfim, a essa espécie de Nirvana em que estou agora imersa...
É isso, sim: os céus se abriram sobre minha cabeça, justo para mim que nunca estive à margem de nenhum Jordão. E o meu deserto era sutil: me foi dado entrar nele pelas pequenas brechas do dia, pelos lapsos da palavra na sua insuficiência de dizer a exatidão das coisas: meu deserto estava incrustrado na lacuna breve dos instantes: e eu me atirava inteira nele!
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