quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Há dias...

É que tem dias mais secos, mais ásperos: dias em que é difícil até mesmo trazer alguma seiva lá de baixo.
Nesses dias, nada me toca ou compreende: o frescor sagrado dos pães, a sinfonia surda das águas, o grito preto do café sobre a mesa. Nem mesmo o cigarro me quer ou fascina.
São dias em que ando tonta por cômodos escuros, esgueirando-me por paredes, cuidadosa a cada passo. Dias em que tudo me exaspera: meu riso, meu choro, meus copos... E é quando me canso de mim: de meu tom, dessa secura que me toma, da estranheza que floresce em cada quarto... desse meu secreto modo de estar entre os esgotados, os desvalidos. Entre os que desfilam, sedentos, no desconcerto do mundo...

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