quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Song to the Siren

'Sail to me, sail to me, let me enfold you.
Here I am, here I am, waiting to hold you.'
( Tim Buckley )


Sou eu essa ciranda de palavras? Essa dança que não chega a lugar algum? Não, o meu É é algo no centro escuro da coisa, de onde não há volta.
O meu É é mais secreto: é o lugar onde gravito meus gestos. Como numa sinfonia que, ao ser toda para fora, voltada para um público anônimo, guarda para si o melhor: as secretas nuances, as sutis variações. Perceptíveis, apenas, aos mais atentos, aos de gosto apurado: àqueles que andam entre as coisas sem fazer muito ruído. 
Meu nome é um Não. Um decisivo Não. Meu lugar é este centro impreciso em que as palavras, camada por camada - como num trabalho de magma lento e paciente - ocultam o de mais vibrante. É que meu nome é isto: (..............).
Sim, eu sei que teus ouvidos não captaram, é que eu vibro toda numa freqüência infra-sônica. Sou percebida apenas pelos de hábito noturno que, como eu, aprenderam a se esgueirar pela treva sem macular-se. Sim, há algo de mim no deserto da noite que teus olhos ainda não veem. Sou o avesso da luz de teu rosto, a cintilar nesta procura. Um farol que arrasta às rochas mais pontiagudas.
Sei do teu nome, das tuas tardes febris. Conheço cada estilhaço do teu olhar. O segredo das vísceras. O perfume aconchegante de tuas coxas. O teu silencioso grito...

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