Tu não entendes: quero tudo outro: quero revirar as gavetas e os papéis de minha vida, para divisar a essência de tudo o quanto digo. Quero voltar ao instante primeiro, anterior à escrita de meus dias e saber-me o modo e a fonte. É disso que preciso: rasgar a placenta que me separa do momento anterior ao nascimento de tudo: quero comungar com a latência do existir.
Vês estas frutas? Como elas se entregam todas, sem qualquer medida de pudor? A água que bebes, por acaso, te solicita a resposta de algum de teus enigmas? Não é este teu cão, a se enrolar em nossas pernas, mais pleno que qualquer um de nós? Ou será que os teus uísques te impedem de vislumbrar a cegueira em que eu e tu vivemos? Olha lá fora, no pátio, e percebe como as coisas todas estão na rotação harmônica de si mesmas. Não se chocam, e nem se intumescem de questões. Nada lhes obstrui o rumar em direção ao colapso: nem um sonho turvo para atormentar-lhes de insônia a noite.
Vês o luar? O singrar das aves na busca do alimento? Como eu os invejo! Eu que desde sempre estive a me corroer de perguntas diante do absurdo de estarmos aqui. É que jamais tive a coragem, Virgínia, nem mesmo por um instante, de deixar-me estar diante das coisas, como esse rio que passa por detrás de tua casa: pleno da certeza de suas águas...
Vês estas frutas? Como elas se entregam todas, sem qualquer medida de pudor? A água que bebes, por acaso, te solicita a resposta de algum de teus enigmas? Não é este teu cão, a se enrolar em nossas pernas, mais pleno que qualquer um de nós? Ou será que os teus uísques te impedem de vislumbrar a cegueira em que eu e tu vivemos? Olha lá fora, no pátio, e percebe como as coisas todas estão na rotação harmônica de si mesmas. Não se chocam, e nem se intumescem de questões. Nada lhes obstrui o rumar em direção ao colapso: nem um sonho turvo para atormentar-lhes de insônia a noite.
Vês o luar? O singrar das aves na busca do alimento? Como eu os invejo! Eu que desde sempre estive a me corroer de perguntas diante do absurdo de estarmos aqui. É que jamais tive a coragem, Virgínia, nem mesmo por um instante, de deixar-me estar diante das coisas, como esse rio que passa por detrás de tua casa: pleno da certeza de suas águas...
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