A Dançarina
Mulher das fontes do Oriente: em tua veste florescem o trigo, a campina e o amanhã.
Na mecânica de teus quadris, dormem, conjugadas, as duas partes do mistério. (Há resquícios, em ti, dos intermédios e dos mediterrâneos...).
Dançarina do Vento Sul: tua tez de âmbar desperta as sedes e o rumor das dunas...
Ecoam, em teu riso, os estilhaços dos amores mal-dormidos: no pão do teu sorriso, em sua massa mais densa, se elabora um antigo amargor...
Tens o cheiro da penumbra; tudo, em ti, é à meia-luz.
Como quem reside entre os tolos, de tudo gracejas: poucos provam do vinho último das tuas ruínas...
Quando andas, desabrigas os ventos, estilhaças os cântaros, recolhes os telhados das casas, silencias o mar: dispersas, enfim, a alcatéia de imbecis.
É que na flor do teu segredo reside a fonte das águas, o giro louco do tempo: a fome secreta do amor...
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