sexta-feira, 11 de novembro de 2011

À Beira dos Lagos

Estavam soltos - ele e ela - a passearem à beira do lago.
Havia harmonia e constância em seus movimentos. Ela, delicadamente, sorria, bebendo cada palavra sua, como quem prova do mel e da brisa de outras eras.
Ele - em seu olhar - cintilava como os risos de uma infância perdida: é que, em seus modos, havia o hálito secreto do tempo.
E estavam unidos pelo enlaçar das mãos, pelo entrelaçar dos fatos que os conduzira até ali: soltos - ela e ele - a passearem à beira de si...
No entanto, suas mãos eram água dentro da palma: com o gesto lento de quem recolhe pequenas ondulações, dissolviam seus dedos em azul e silêncio, mornos e adormecidos, buscando no crepúsculo o reflexo de seus rostos, repousados além da superfície das águas, em sombra clara e transparência imóvel... 

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