domingo, 30 de outubro de 2011

Ensaio Sobre o Choro

Eu estou sentado a poucos metros dela. E consigo vê-la claramente: suas roupas bem ajustadas ao clima e ao tom da própria pele. As costas firmes com que carrega a mochila.
Ela ainda é jovem. Talvez nisso esteja contida toda a beleza de sua figura: ela é jovem e chora!
Não me pergunto das razões do choro, que poderiam ser de todo banais. Não de uma banalidade imposta, mas de uma banalidade própria à sua juventude: talvez um namorado, uma amiga, um castigo mais severo dos pais...
Não olho para o choro e suas razões, olho para o choro em si mesmo. Nesse eclodir de fluídos e sons incontroláveis que a desfiguram. Nesse desabrochar abrupto de espasmos pelo corpo na solidão de seus poucos anos.
Olho-a, enquanto ela chora, assim como uma esfinge olha para outra, a tramar seus augúrios e enigmas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário