Os dedos de minhas palavras não conseguem tocar a realidade. Por mais que eu me permita a aproximação, sempre torno a escorregar naquele não-lugar entre mim e as coisas ao redor.
É este o meu ofício: lapidar esse espaço pétreo, essa lacuna em rocha que separa minha língua dos objetos sobre os quais orbito meu espanto.É que por mais que minhas papilas e pele se esfreguem na superfície dos corpos dados (quer naturais, quer artificiais) tudo será sempre virtualidade: a impressão sensualizada de uma interna e eterna incerteza.
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