Éramos água. Eu e tu. Naquilo que sua natureza incerta e esquiva comporta. Não falo da água empalhada dos copos, com sua rigidez de morte. Falo das águas convulsas que brotam diante do espanto virginal da terra. Falo da água em seu poder de esgueirar-se por entre as coisas do mundo. E éramos assim: líquidos e cristalinos, um diante do outro. Concebíamos, mesmo que abstratamente, a profundeza que nos havia... Tu eras a fonte e eu, o rumorejar intermitente. Eu banhava meus olhos diante de ti como quem se procura no inverso dos rios, na contramão de seu destino. E eu fizera morada em tuas superfícies, em um tempo em que, à semelhança do desespero das mãos, nossos cursos se enlaçavam. |
O homem, força agente e autônoma, reduz-se a cinzas, enquanto ela - a palavra - atravessa os tempos sempre dizendo e significando cada vez mais.
domingo, 10 de julho de 2011
O Desvio das Águas
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