quarta-feira, 1 de junho de 2011

Circe

" Meu canto é este tecido vivo  - nu -
que ofereço à tua alma."










Hoje, lembrei-me de ti, Augusto... Lembrei-me de tua voz resplandecente; de tuas mãos suaves a conduzirem-me por meus descaminhos; de teu caminhar ritmado (teus movimentos eram a poesia de teu corpo...).
Lembrei-me de teu olhar para o infinito de minh’alma, dos teus discursos sobre a natureza do amor e dos homens; do teu sorriso infantil e sem culpa... As tuas canções; da modulação de teus gestos; de tudo o quanto é teu e que ainda me plange. 
Eu, aqui em meu cárcere, passo os dias a tecer a trama de minha fala para que o tempo transcorra ameno na tua ausência.
Enquanto ganhas o mundo na esperança de encontrar-te, eu permaneço aqui, tecendo e destecendo minha linguagem, para depurar-me à tua espera.
Espero, meu amado Augusto, que nada te desvie da rota de ti mesmo. Que nenhum canto incerto faça divagar o teu olhar; que não te percas nos descaminhos de tua busca. Espero, enfim, que ao regressares tenhas te concluído e que, concluso, te possas ver inteiro.
Eu já não sou mais inteira. E é para preencher os meus vazios que me construo e desconstruo, que ergo à minha volta as paredes de um labirinto sintático, pois, diferente de ti, quero perder-me no falsear de minha língua-teia. Tornei-me a tecelã e o inseto incauto de minha própria rede. Pois se tu te completas na busca, eu, de minha parte, só conseguirei encontrar-me ao perder-me...
Que, ao esquecer-te, eu te transforme em algo semelhante aos hiatos de minha imprecisa malha: um lapso no vazio do meu tear...
Pois tornei-me a tecelã e o inseto incauto de minha própria rede. E é para preencher o meus vazios que me construo e desconstruo, que ergo à minha volta as paredes de um labirinto sintático... Eu já não sou mais inteira (...).
Espero, enfim, que ao regressares te concluas e que, concluso, te possas ver inteiro. Que nenhum canto impreciso faça divagar o teu olhar; que não te percas nos descaminhos de tua busca. Espero que nada te desvie da rota de ti mesmo.
Enquanto ganhas o mundo na esperança de encontrar-te, eu permaneço aqui, tecendo e destecendo minha linguagem, para depurar-me à tua espera. É que,  aqui em meu cárcere, passo meus dias a tecer a trama de minha fala para que o tempo transcorra ameno e m  nossa ausência.
É que lembrei-me das nossas canções; da modulação dos meus gestos; de tudo o quanto foi nosso e que ainda me plange. De meu olhar  para o infinito de tua alma. A tua voz resplandecente; do olhar suave a conduzir-me por estranhos descaminhos; de certo caminhar ritmado ( movimentos que eram a poesia de meu corpo...). Hoje, Augusto, lembrei-me de ti... – perdoa-me: foi um lapso, no vazio de nosso tear...

Nenhum comentário:

Postar um comentário